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04/08/2011 – O bom momento vivido pelo setor da construção civil é visível. Circulando pela cidade de Jaraguá do Sul, e também em alguns municípios vizinhos, não é difícil encontrar paredes sendo erguidas e profissionais trabalhando em obras gigantescas, sejam elas de casas, prédios ou imóveis empresariais.
Em entrevista ao O Correio do Povo, o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), de Jaraguá do Sul, Paulo Obenaus, comenta este “boom” vivenciado no segmento, e revela as dificuldades enfrentadas por quem atua nesta área, como a falta de mão de obra e de capacitação dos trabalhadores. Acompanhe:
O Correio do Povo: O mercado de construção está bastante aquecido. No início deste ano, o senhor comentou que a expectativa era de 10% de crescimento no segmento em Jaraguá do Sul. Esta estimativa tem se confirmado?
PO: Sim. A nossa região apresenta um crescimento vegetativo grande na ordem de 4 a 5%, e por ser uma cidade com atividade econômica diversificada e muito ativa, acaba atraindo um interesse maior em moradias, investimentos e serviços afins da construção, provocando um crescimento desse setor na ordem de 10%. O programa Minha Casa Minha Vida deverá ter um impacto maior ainda neste ano no setor.
OCP: Fala-se muito em apagão de mão-de-obra neste setor. A falta de funcionários está de certa forma, prejudicando o crescimento? Quais os motivos da falta de profissionais?
PO: O setor da construção de uma maneira geral carece de mão de obra qualificada, há uma necessidade forte de capacitação dos empregados. Penso que as entidades organizadas do setor estão aos poucos oportunizando estes treinamentos, porém deveria haver um apoio maior do poder público, pois é um dos setores que mais emprega neste país. No momento que os trabalhadores enxergarem que, devidamente capacitados, podem ganhar até o dobro do que receberiam em outros setores, certamente haverá uma melhor oferta desta mão-de-obra treinada às empresas.
OCP: Que problemas a falta de profissionais traz ao setor? Este cenário pode resultar em atrasos na entrega das obras?
PO: Acredito que todas as empresas com planejamento procuram se adequar a realidade atual do mercado e não vejo que esta dificuldade momentânea possa servir de argumento para atrasos de cronograma de obra. O setor da construção civil deu um salto enorme tanto em tecnologia de materiais, quanto na execução dos serviços principalmente, com equipamentos e sistemas construtivos nos últimos cinco anos e com isso melhorou muito a performance nos resultados, equilibrando desta forma a falta de mão de obra.
OCP: Quais iniciativas poderiam suprir, ao menos em parte, a falta de qualificação dos funcionários?
PO: Penso que as empresas do setor devam investir em equipamentos que facilitem e industrializem processos melhorando a qualidade do produto, garantindo os prazos de construção e eliminando a mão de obra despreparada. Em Jaraguá do Sul, o Sinduscom, em parceria com o Senai, tem oportunizado capacitação na área técnica, segurança e saúde do trabalhador.
OCP: Como a informalidade prejudica o crescimento do setor?
PO: A informalidade ou ilegalidade traz graves prejuízos à sociedade, seja para o poder público que deixa de receber seus impostos, seja para o cliente que recebe um produto que não tem garantia e normalmente é enganado com a baixa qualidade dos insumos empregados na obra e ainda pelo ônus trabalhista dos funcionários envolvidos na construção. O funcionário que se submete à informalidade deixa de receber seus direitos, garantias de segurança e de continuidade de trabalho, arriscando sua carreira e muitas vezes a própria vida.
OCP: Quais os fatores que estão impulsionando o mercado da construção civil, na região, e no país como um todo?
PO: Certamente o crédito imobiliário, a estabilidade econômica do país, além do crescimento do poder aquisitivo das famílias, são aspectos que refletem positivamente no mercado.
OCP: Quais as obras mais executadas no momento em Jaraguá do Sul?
PO: A procura é maior pelos imóveis residenciais de padrão médio, tendo em vista que as famílias assalariadas normalmente alcançam uma renda melhor e tem boa segurança nos seus empregos.
OCP: Quantas pessoas o setor emprega hoje, na região?
PO: A cadeia da construção na região emprega formalmente em torno de cinco mil trabalhadores, porém não se tem uma estimativa precisa do número de vagas em aberto.
OCP: O que é preciso fazer para que Jaraguá do Sul cresça ordenadamente?
PO: Penso que o poder público precisa urgentemente definir e regulamentar algumas leis do Plano Diretor, oportunizar a criação de um Instituto de Planejamento e estabelecer sinergia com o Pró Jaraguá - entidade representativa da sociedade que tem como missão identificar as estratégias adequadas ao crescimento sustentável do município. Se houver este pensamento conjunto entre o poder público e a Iniciativa Privada, Jaraguá do Sul deverá ser um destaque ainda maior em Santa Catarina e no Brasil e efetivamente proporcionar desenvolvimento e qualidade de vida aos seus habitantes.
Fonte: O Correio do Povo
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